Luíza é muito mais inteligente que eu, porque ela escreve. Ela simplesmente escreve, e não se preocupa com as palavras, com os parágrafos, com nada.
Ela só escreve, pra ela... e pra quem ela quer que leia, mas não vai ler. Não sei se alguém lê aquilo, ou só eu leio. E não sei se ler me faz bem.

Acho que faz. Eu gosto de saber dela, coisas que ela não me conta. Gosto muito. Me sinto confortavel por ler aqueles sentimentos jogados porque eu sei que assim eu vou poder ajuda-la quando ela precisar, mesmo que ela não queira minha ajuda.

E me faz mal, me faz muito mal. Me lembra sentimentos que não eram pra existir. Que eu já devia ter matado a muito tempo. Porque é isso que as pessoas tem de fazer quando as coisas não dão certo, mata-las. Matar a ideia, de ter, de ser, de querer.

Mas voltando pra parte da inteligencia de Luíza... ela é inteligente, já disse o por quê e não vou repetir, mas se eu sou pelo menos um pouco menos idiota, eu vou copiar a inteligencia dela. Eu preciso mandar o mundo se foder, e sabe de uma coisa? outra coisa? foda-se.

Primeiro desculpas às pessoas que se preocuparam comigo, que não sabiam onde eu estava e que acharam que algo podia ter acontecido. Foi falta de consideração da minha parte, eu sei. Mas aí está outra coisa que eu quero que foda-se. Quem eu amo sabe disso, eu não preciso estar justificando nada. Ninguém pode me julgar, nem eu mesma. Aliás... se eu pudesse, me condenaria.

O lugar onde eu estava era um mundo ilusório. Mais perfeito, porém distante de tudo que é real em mim e pra mim. Distante da maioria das pessoas que eu amo, distante de shopping, computador, celular e essas coisinhas idiotas que regem as nossas vidas. E não, falando assim eu não sou uma garota consumista que estuda na zona sul. Eu só estou tentando ser mais realista e menos hipocrita.

Eu não me importaria em passar anos sem telefone, desde que eu pudesse ter certeza de que eu não magoaria ninguém por não ter ligado pra dizer que estava tudo bem, mesmo que não estivesse. Eu só não queria ter a certeza de que Bella estava bem longe de mim, e eu tinha.

E era nisso que eu pensava; ela precisava de mim e eu não estava lá, nem nunca poderia estar. Isso machuca. Machuca muito. E quando eu não pensava nisso, eu pensava em coisas que batem forte e correm quentes nas minhas veias, um dia entope, mas ainda não... então eu pensava, continuo pensando. E essas são aquelas coisas que a gente quer e tenta mas não consegue matar.

Algumas vezes eu pensei nas outras pessoas que também são importantes. Eu pensei em Luíza, em Dani, pensei que elas pudessem estar preocupadas, mas desisti. Conclui que não. E que mesmo que elas estivessem, isso não era relevante. Não era porque eu não tinha certeza se ia voltar.

Aliás... eu tinha quase certeza de que não iria. Algo me dizia que a minha viagem ia ter fim no meio do caminho. Sim, porque o fim nunca é no fim. Ou ele vem antes, ou vem depois. O meu viria antes, antes que eu pudesse ver quem eu queria, dizer o que queria, fazer o que eu queria. Antes que eu pudesse ser.

Minha vida parecia ser um daqueles bons filmes que acabam no meio por falta de verba ou inspiração. No meu caso: nem um, nem outro.

Não ter chorado lá, foi uma coisa dificil, e foi uma coisa boa. Não chorando, eu não sabia, mas estava economizando as lágrimas para quando voltasse. Eu tinha certeza que as coisas por aqui estavam tensas, e estavam. Eu não sabia, nem tinha como saber, mas eu tinha a sensação. Forte, dentro de mim.

Eu precisei das lágrimas. Usei até fim. Uso ainda.

Ainda uso porque o fim não chegou. Mas isso não diminuiu a minha sensação de estar proxima da morte. Eu achei que tinha essa sensação pela ideia do avô de Bella. Porque eu imaginava o que ela estava vivendo, e por partes, eu vivia aquilo por ela. Mas não era.

Também não era porque eu não eu era eu. Era um eu morto.
Era porque talvez a morte esteja mesmo muito proxima de mim, e eu não sei.
E estava, e agora eu sei disso.

É muito ruim correr riscos. É muito ruim perder. Pior ainda é ter medo de perder. Ou ter a certeza de que a perda pode estar proxima.

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Os dias não foram confortáveis nem tão pouco felizes - embora parecessem ser. As noites demoravam pra passar, e de vez em quando um beijinho em Dominique antes de me esconder deibaixo do cobertor me deixava mais confortável embora triste, ao mesmo tempo.

Sentir saudades de uma vida inteira foi estranho. Se não, pelo menos novo. E ter a certeza de que uma vida pode ser inteira sem filhos, sem casamentos, sem faculdades, e sem 'o resto da minha vida com você' foi desesperador.
Aumentou minha pressa de viver. Eu tenho pressa de ser agora, de estar agora, de amar agora, de dizer agora. Porque hoje, aqui, pode ser o fim de uma vida inteira, a minha vida inteira. A vida inteira de qualquer pessoa, pode se resumir e virar pó, agora.

E antes que a minha vida vire pó, eu ainda quero muito. Antes de ver uma vida virar pó, eu quero viver. Eu quero ter a sorte de morrer passando 'o resto da minha vida com você'.
Naqueles dias eu não tive sorte, não tive você, nem Luíza, nem ninguém.

Se a vida não virou pó, foi a inteligencia que virou. Porque eu duvidava da minha saudade.
E a saudade é o que eu tenho de mais vivo em mim. Aliás... saudade:

"Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las."

é o que eu tenho, comigo, pro resto da minha vida. Que é agora.



ps.: que merda. Nem chorar eu consigo mais. E me sinto idiota por ter sido tão inteligente quanto Luíza. Por que não tem ninguém pra me dar um abraço?

1 Comment

  1. luz on 15 de julho de 2008 às 22:12

    eu sempre vou estar do seu lado pra lhe abraçar. Você nunca vai estar sozinha, sempre vai me ter com você, nem que seja numa lembrança, ou apenas em uma presença de espírito.
    e eu não lhe conto as coisas porque eu sei que você não gosta. desculpa amor.

     


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