esta carta é para você. Sim, para você que em uma semana me fez jogar tudo para o ar, ir correndo até a beira da praia, te dar um abraço e desistir de andar de patins só para ficar ao teu lado, observando o balanço das águas.
É uma carta para você que me fez perceber a beleza dos tetos, a beleza das famosas palavras não ditas, e a sinceridade dos sorrisos zangados.
Você me fez perceber que para amar não é preciso dizer 'eu te amo', que para completarmos um ao outro não é preciso haver proximidade, nós formávamos um inteiro, mesmo quando você estava longe, muito longe daqui. Você me fez perceber que amar é um misto de admiração, carinho, frio na barriga, respeito...
Você me fez perceber que mesmo quando o que eu mais queria era um beijo seu, eu não precisava dele para me sentir feliz, eu só precisava estar ao seu lado.
Porque com você os beijos não eram única tradução de todos aqueles sentimentos que viviam entalados em nossa garganta e cuja beleza era exatamente o fato de não serem verbalizados.
Esses sentimentos podiam ser traduzidos de qualquer maneira, concordando com a ocasião.
Os olhares não precisavam brilhar para que dissessem 'eu te amo', não precisávamos de abraços longos e freqüentes para sentirmos a paz um do outro.
Você me ensinou que amar não é algo extraordinário. O amor é uma eterna admiração do dia-a-dia.
Amar com a gente, era andar pelas ruas sem precisar dar as mão para estarmos unidos, era assistir um filme besta e rir por não ter prestado atenção...
E por mais que eu tenha demorado para entender, até mesmo desligar o telefone para fazer alguma outra coisa insignificante, era amar, para a gente.
E eu tenho que lhe dizer, eu fui muito burra durante muito tempo. Fui por achar que abrir mão é o fundamental do amor, fui por exigir que você me amasse da maneira exata como eu te amava.
Burrice.
Abrir mão de muitas coisas, faz parte do amor. 'Não abrir' também.
Eu jamais poderia, uma unica vez, ter lhe pedido para jogar tudo pro alto por mim.
Mas eu demorei pra entender, que o seu amor é diferente dos clichês. Eu demorei para digerir esta nova forma de amar que eu adoro. Eu não tive sabedoria para entender, que até o fim foi proposital por evita-lo.
E agora que eu tive tempo pra perceber tudo isso, aumenta ainda mais minha admiração por você. E me resta uma ultima constatação sobre o (nosso) amor: ele é um troca eterna, em que nem sempre os pesos são pagos na mesma moeda, mas certamente, onde sempre terão o mesmo valor.
Obrigada, por tudo.
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