Para Luíza Paes, com carinho, e aguardando uma resposta.

È. Primeiro vestibular, a gente nunca esquece. Quem disse?
Esqueci todas as excessões de química, que, graças à Deus não caíram.

Mas lembrei de você.
Acordei cedinho e fui tomar um banho. Você disse, no dia anterior, à noite, que não iria faze-lo. Disse ao seu pai, mas eu ouvi, sem querer...
E lembrei de você. Eu, tomando meu banho quente. Você? sei lá... seu café da manhã, frio?

Vesti minha camisa do colégio, pensei que você me acharia ridícula. Ri de mim.
Coloquei água e gelo na minha garrafinha. E a garrafinha dentro da bolsa, foi sacodindo enquanto eu corria para o carro!

Parei no supermercado: um iogurte ninho, seis saquinhos de passatempo que contém (cada um) três biscoitos, um M&M's (como refêrencia de: Marina Moreira), um Tridente e finalmente, um dorflex por precaussão.
Torci para que você não tivesse dor-de-cabeça.

Parei no posto: gatorade de limão.
Tinha comida pra passar um mês lá, fazendo a prova.

Cheguei naquele lugar que tinha o nome escrito no cartão de inscrisão.
No portão enorme: um povo vestido de policial, digo, de exercito. E lá dentro, a minha sala era a mais longe de todas. 1724.
Qual seria a sua?

Procurei um bocado. E achei.
Uma sala, com um bocado de Marinas e uma fiscal mais baixinha que eu.
E na sua, um bocado de Luízas?

Entrei.
Nada de ar-condicionado, ou ventiladores. Haviam janelinhas, verticais, abertas. Dava pra ver a estrada.
Sentei na cadeira sete, primeira fileira. Braço esquerdo encostado na parede.
Comecei a desenhar:


Primeiro duas estrelinhas no lado direito. Depois, curvilinhas...
Um carro, fumaça, nuvens, uma encanação, televisão, água, peixinhos, pedras e plantas, onda, um sol, um quadro, relógio.
Já eram quase 8h.

E eu ali, olhava para a janela. Muitos e muitos carros passando. E foi pela janela...
'meu amor, cadê você? [...]
pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela quem é ela? quem é ela?' cadê ela?

8h05, entregaram-me a prova:
'Preencha todos os campos corretamente e só abram o caderno ao toque do sinal'

Tá bom, tia.
'Qualquer duvida, levantem a mão'

E eu pensei em levantar. Eu tinha duvidas, de fato.
'Ô tia... me diz uma coisa pr'eu fazer minha prova tranquila? cadê Luíza, hein? ela tá bem? É que eu preciso ter certeza.'

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